• Agencia X10

Deixe o Bluetooth do celular ligado. Ele pode salvar vidas.


Sistema de rastreio de contágio requer comunicação sem fio. Aplicativo Coronavírus - SUS envia alertas desde a semana passada.


Se você faz parte daquele grupo de pessoas que deixa o Bluetooth desligado no celular, hoje eu trago uma má e uma boa notícia. Comecemos pela má: você deveria deixá-lo ativo, ainda que impacte a bateria do seu aparelho. A boa é que isto pode te ajudar a saber se esteve perto do novo coronavírus. Tem tudo para ser um pequeno gesto diante do bem coletivo.




Explico. O Governo Federal adotou na semana passada uma tecnologia que emite alertas sobre Covid-19. Ela foi desenvolvida a partir de uma parceria inédita entre Apple e Google, de modo que engloba donos de Android e de iPhone. Praticamente todo mundo pode participar e receber os avisos.

Para tanto, é necessário instalar o aplicativo gratuito Coronavírus - SUS, que está na App Store e na Google Play Store. O chip Bluetooth de cada celular com o app passa a emitir uma espécie de chave de tempos em tempos. Também recebe outros sinais, e assim sabe os demais aparelhos próximos. A pessoa que testou positivo para a doença pode adicionar esta informação ao app. O Ministério da Saúde valida o dado para descartar informações falsas. Em seguida, dispara o alerta para os demais smartphones. As pessoas em risco recebem orientações de saúde, como buscar um médico ou se isolar. Todo este mecanismo depende do Bluetooth. O protocolo de transmissão sem fio existe há décadas, tal qual o Wi-Fi. A ideia é possibilitar a comunicação entre equipamentos fisicamente próximos.

O interessante é observar que existe uma forma de Bluetooth que quase não gasta energia. O chamado Bluetooth Low Energy (“baixa energia” em tradução livre, também apelidado pela sigla BLE) marca presença em muitos telefones e estará em 90% dos dispositivos eletrônicos com Bluetooth até 2023, segundo o Bluetooth SIG, consórcio que representa o setor. O BLE transmite pacotes de dados extremamente pequenos. Ele foi concebido para detectar a presença de dispositivos e para exibir mensagens publicitárias numa determinada região da cidade. O segundo uso não pegou, mas o primeiro tem tudo para sofrer uma reviravolta neste período de pandemia. Os protocolos do Bluetooth e do BLE são diferentes, mas podem coexistir num mesmo aparelho. No mundo ideal, os usuários de smartphone poderiam deixar ligada só a versão de baixa energia caso quisessem usar o Coronavírus - SUS. No entanto, hoje em dia não é possível fazer um ajuste tão granular: ou ativa tudo, ou desativa tudo.

Celulares, tablets e PCs com Bluetooth no mundo Sabe quais são os demais usos? Apps de transporte público, monitores de pressão sanguínea e sensores industriais, entre outros fins. Alguns equipamentos podem ficar até cinco anos ligados com o BLE ativo, dependendo apenas de pequenas baterias. Imagine o seu glorioso smartphone, que provavelmente recebe uma nova carga a cada 24 horas.

Países como Alemanha e Uruguai estão testando o sistema de notificação criado pela aliança Apple/Google. Singapura saiu na frente ao desenvolver uma solução própria que atualmente está nos bolsos de 2,3 milhões de usuários. O resultado por lá é tido como um caso de sucesso no mundo. O pedido aqui é muito simples: abra mão de um pouquinho da sua bateria em prol de alimentar um mecanismo nacional que pode te ajudar mais para frente. Tal qual o Waze e o trânsito, mas com um gasto energético infinitamente menor e com o objetivo de auxiliar na sua saúde, dos seus familiares e de todo mundo. Sinceramente? Não me parece um grande sacrifício. Eu ativei a função. Em tempo: alguns leitores levantaram dúvidas sobre privacidade. Apple e Google dizem que não é possível saber quem testou positivo. Dados como nome ou endereço não são levados em consideração. As empresas também não detectam a localização geográfica (GPS), então não dá para saber a movimentação do usuário. A notificação de exposição considera somente as chaves trocadas entre aparelhos.


Fonte: Tech Tudo

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